E a conversa sobre não acordar o marido durante a noite volta. “Eu acho que a maior bobagem que a gente pode fazer na vida é achar que homens e mulheres são iguais e ficar com essa mania de dividir tudo. Isso leva à competição. Já competi em muitos relacionamentos e foi horrível.” Ser independente não é competir, a gente conclui. E Paula tem outro argumento na ponta da língua. “Olha, a coisa mais horrível que existe são esses casais que dividem conta de restaurante pela metade. É mais uma prova de que tem que ficar tudo divididinho, como em uma competição. Se eu tenho dinheiro, convido o Jonathan e ele adora. Como ele tem mais dinheiro, acaba me convidando mais, claro.”

A Paula-mochila-nas-costas, a que comprou seu primeiro carro ainda adolescente com o próprio dinheiro, hoje assume, sem nenhum problema, ser dependente financeiramente do marido. “Deve ter gente que acha isso estranho, mas dane-se. Sinceramente, eu tenho um privilégio enorme de ser casada com uma pessoa que pode bancar essa situação para que eu me dedique agora às minhas filhas e à minha família. Se não pudesse ser assim, tudo bem. Eu daria um jeito. Mas ser assim é ótimo.” E se ela vai voltar a trabalhar? “Claro. E aí vou arrebentar. Me aguardem. Porque estarei deixando meus filhos para trabalhar. Desde que as meninas nasceram, meu tempo é muito mais caro. Não vou gastar o tempo que estou longe delas fazendo qualquer trabalho. Vai ser só para fazer fotos incríveis.”


Para entender melhor tanta liberdade de espírito, aqui cabe dizer que Paula é filha de hippies. “O casamento dos meus pais deu muito errado. Acabou quando eu era superpequena. Acho que a nossa geração tem a possibilidade de fazer uma mistura entre essa coisa “Maio de 68” dos nossos pais e a vida dos nossos avós. Essa mistura pode dar certo.” A mistura de que Paula fala significa, sim, não se achar um lixo porque parou de trabalhar. E, ao mesmo tempo, não perder a sua essência por estar em uma relação.

“Não casei com o príncipe. Casei com o sapo. Mas casar com sapo é maravilhoso. A vida de casada com família é melhor do que eu podia imaginar. E sabe por quê? Não é porque é perfeita. É porque é real.”

Tem toda a razão. Bobeira é não viver a realidade.




 
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