E a conversa sobre não acordar o
marido durante a noite volta. “Eu acho
que a maior bobagem que a gente pode fazer
na vida é achar que homens e mulheres
são iguais e ficar com essa mania de
dividir tudo. Isso leva à competição.
Já competi em muitos relacionamentos
e foi horrível.” Ser independente
não é competir, a gente conclui.
E Paula tem outro argumento na ponta da língua. “Olha,
a coisa mais horrível que existe são
esses casais que dividem conta de restaurante
pela metade. É mais uma prova de que
tem que ficar tudo divididinho, como em uma
competição. Se eu tenho dinheiro,
convido o Jonathan e ele adora. Como ele tem
mais dinheiro, acaba me convidando mais, claro.”
A Paula-mochila-nas-costas,
a que comprou seu primeiro carro ainda adolescente
com o próprio dinheiro, hoje assume, sem nenhum
problema, ser dependente financeiramente do
marido. “Deve ter gente que acha isso
estranho, mas dane-se. Sinceramente, eu tenho
um privilégio enorme de ser casada com
uma pessoa que pode bancar essa situação
para que eu me dedique agora às minhas
filhas e à minha família. Se
não pudesse ser assim, tudo bem. Eu
daria um jeito. Mas ser assim é ótimo.” E
se ela vai voltar a trabalhar? “Claro.
E aí vou arrebentar. Me aguardem. Porque
estarei deixando meus filhos para trabalhar.
Desde que as meninas nasceram, meu tempo é muito
mais caro. Não vou gastar o tempo que
estou longe delas fazendo qualquer trabalho.
Vai ser só para fazer fotos incríveis.” |