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“Tem coisa mais
boba do que essas mulheres que dizem que o marido
precisa acordar com ela durante a noite para amamentar?
Se um vai ter que acordar, por que vão acordar
os dois? Pô, deixa o seu marido dormir para
poder trabalhar no dia seguinte!” A observação,
que vai ao ponto certo e chega a ser engraçada
(de tão óbvia), não me surpreende.
Isso porque vem da boca de Paula Prandini. Essa é uma
conversa entre amigas, que fique claro. Paula foi
room-mate da repórter que vos escreve há dez
anos (sim, faz todo esse tempo). Na época,
estávamos as duas solteiras e nossas festas
eram ótimas, como ainda são.
A Paula que eu encontro na
tarde de domingo no Rio de Janeiro, onde mora,
está grávida
de oito meses. E cuida (e me deixa ajudar, oba!)
das gêmeas Miranda e Capitu, de um ano. Em
três anos (e só isso) minha amiga saiu
da condição de solteira para mãe
de família. Ela mora com o marido, o cineasta
Jonathan Nossiter, em uma casa no Horto. Seria tudo
pouco surpreendente, não fosse Paula uma das
amigas mais independentes que já tive na vida.
Ela trabalha desde os 14 anos (na época, como
modelo), morou no Japão com 15, abriu um restaurante
em São Paulo com 20, fechou com 21, virou
fotógrafa (e minha amiga) aos 20 e poucos,
mudou para Paris antes dos 30, morou com um namorado
francês e viajou a América Latina fotografando
o filme Diários de Motocicleta, de Walter
Salles.
Adorava passar as férias em Trancoso
(absolutamente sozinha), e era tão “on
the road” que uma vez tivemos o seguinte diálogo
durante uma visita dela ao Brasil: “Paula,
onde você está morando?”. “Em
lugar nenhum. Minhas coisas estão na casa
de uma amiga. Não sei mais onde eu vou morar.
O que você acha de eu mudar para o Rio?” As “coisas” da
Paula estavam em Paris. E ela, depois de viajar a
América com Diários, voltar
para Paris e se separar do namorado, dava um tempo
em São
Paulo na companhia do cachorro Ched.
De volta ao futuro. Paula, que hoje mora com marido,
empregada, cachorro (o mesmo Ched) e crianças,
dá um tempo dos projetos de trabalho e diz
que nunca se sentiu tão livre. Agora, que
sua casa virou praticamente uma empresa. “Essa
coisa de enfermeira, de babá vestida de branco,
não tem muito a ver comigo. Então,
tenho duas meninas que me ajudam, porque realmente
preciso de ajuda.” Em um dos momentos da tarde
em que passamos juntas, apartamos uma briga entre
as meninas. Capitu puxou o cabelo de Miranda até encostar
a cabeça da irmã no chão. “Poder
depender de outras pessoas dá uma liberdade
incrível. E saber que existem pessoas que
dependem de você também”, ela
me explica.
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