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Por mais esclarecidas
que sejam as pessoas, descobrir uma traição
dói muito, né? Nossa, dói
tanto! O cara dizer que estava não sei
onde e você saber que não era verdade...
E ele ainda chegar e dizer “Oi, meu amor,
estava morrendo de saudade de você”,
não dá. Eu tenho uma teoria muito
louca, que nunca consegui colocar no papel, que é a
seguinte: o culpado de tudo é o sexo.
A relação com um homem pode ser
a melhor do mundo, de amigo, até com coisas
mais amorosas, mas só enquanto não
houver sexo. Na hora que entra sexo, entra a
idéia de possessão, você não
suporta que ele olhe para o lado, não
suporta nada. Não estou achando que deveríamos
abolir o sexo, mas o fato é que só se
ele não existisse é que tudo ficaria
realmente tranqüilo.
Você conhece homens que levem a vida como
você, sozinhos? Tem muito homem que consegue
viver assim! Homem que tem pavor de ter uma mulher
atrelada a ele.
É que se criou essa idéia
de que homem precisa de uma mulher para organizar
a vida dele... Pois conheço muitos que resolvem
muito bem as coisas práticas e não
querem mulher por perto. Eu conheço um,
por exemplo, que combina de se encontrar com
a menina, chama a garota de programa e, antes
que ela chegue no apartamento, ele liga para
o serviço de despertador e pede para ser
chamado às duas da manhã. Aí, às
duas, ele lá com a moça, o telefone
toca. É o despertador, mas ele finge que
tem alguém e responde “Não
me diga, não é possível!
Estou indo praí!”. Para poder descansar,
para não ficar naquela conversa com a
mulher.
Você já disse que uma reunião
só de mulheres é a coisa mais chata
do mundo. Você tem amigas mulheres? Não
muitas. Me dou muito bem com homem e de uma certa
maneira eu dou bem razão a eles: somos
insuportáveis, principalmente apaixonadas.
Mulher é muito chata, só fala de
homem, se o cara telefonou, se não telefonou.
Outro dia fui a um restaurante e tinha uma mesa
com seis homens. Homens famosos, legais. Tomei
um drinque, depois fui para a mesa, comi, pedi
sobremesa... quando levantei fui embora eles
continuavam lá felicíssimos, sem
mulher do lado.
Em que situações você já desejou
muito ter um homem a seu lado? Ah, tem
uns domingos meio esquisitos, né? Como sou bastante
ocupada, e se não tenho o que fazer eu
logo arranjo, isso me tira muito esses momentos.
Hoje de manhã, por exemplo, já veio
alguém aqui mexer no computador. Daqui
a pouco vem um carpinteiro. Estou com o dia cheio
desse tipo de coisa, então não
vou ter nem um minuto pra pensar em solidão.
Vai ter dia em que vou ter, claro, vou estar
mais livre e pode pintar. Mas tem tanta coisa
que eu posso inventar. Adoro uma boa sessão
da tarde, por exemplo. Ontem vi Roberto Carlos
em Ritmo de Aventura, adoro assistir a essas
coisas. Ou então invento outra coisa,
saio, vou cortar o cabelo.
O fato é que você gosta
de fazer as coisas sozinha. Tem gente
que tem tendência
a ficar mal. Eu não tenho vocação
para a depressão. Esses momentos são
raros, e logo passam. Mas não vou atrás
de nada nem de ninguém pra eles passarem. É por
minha conta. Gosto muito de sentar num lugar
e ficar observando, para poder escrever. Se estiver
com muita gente do meu lado, me distraio e não
observo. Então, hoje em dia, além
do prazer, isso é uma coisa do meu trabalho.
Se bem que no Rio é meio complicado, porque
eu tenho uma cara muito manjada. Tem sempre alguém
que vai perguntar “está esperando
alguém?” ou “quer sentar com
a gente?”.
Como é sua relação
com seus ex-namorados? É de inimizade para
sempre. Dependendo de como foi o amor e de como
terminou, não dá mais pra olhar
para a cara da pessoa. Mas, olha, eu não
tenho nada contra o casamento. Acho que não
tem nada melhor do que aquela época em
que você está casada e as coisas
estão funcionando. Só que não
dura para sempre. Eu, sozinha, estou vivendo
a melhor fase da minha vida.
A foto desta entrevista
está no livro Quase Tudo, de Danuza
Leão,
editora Cia. das Letras
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