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Marcelo
Rangel Lennerte: advogado e mestrando
em direito constitucional pela PUC-Rio, 24 anos |
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Ipanema,
março de 2006
Como é lindo um homem que bate um pratão em
casa, dá aquela forrada, sai só de bermuda,
a sunga aparecendo um pouquinho, e chega de chinelo na praia — gato
escaldado não queima o pé na areia quente.
E lá vai ele, cumprimentando o barraqueiro, e aí beleza?,
flanando entre as cangas, pernas, pessoas, encontrando os
camaradas, louco pra dar um tchiiibummm... E bater um altinho.
Sempre fico pensando: o que eles fazem com a chave de casa?
Como é incrível a calma desses homens, o tempo
desses homens, a ginga deles a caminho do mar, o mergulho
preciso, com as pernas retas e desniveladas, pés em
semìponta. Refrescante. Seja morna ou gelada, eles
não dão bobeira na água. Saem meio correndo,
meio fugindo das ondas, dando uma sacudida rápida
com as mãos nos cabelos molhados. Seja verão,
ou não.
Me preocupo com eles, terão passado protetor solar?
Teve época que usavam pomada Hipoglós no nariz.
Em outros carnavais, eles certamente foram, ou tentaram,
ser surfistas. Deixavam as moças feito penélopes à espera
no cais-areia. Horas no sobe-e-desce das ondas, remando,
remando... Saíam pra retocar o nariz e encontrar suas
pequenas, cheias de saudade, orgulhosas dos drops e tubos.
Beijo na boca. O mundo em suspenso, o pé dela levantadinho,
se joga, meu amor, que ele te segura pelas costas. Nada mais
delicioso que beijo na praia. E o leve abrir os olhos com
sol na cara.
São todos meninos do Rio.
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