Que venham os 50

A MAIOR CONQUISTA DE CISSA GUIMARÃES EM 2005 FOI POSAR NUA PARA A REVISTA SEXY. “EU TENHO MUITO MAIS ORGULHO DO MEU ENSAIO AOS 48 ANOS DO QUE AOS 35 NA PLAYBOY”, DIZ


por Cynthia Howlett

Já passavam das 10 horas quando cheguei à casa da atriz Cissa Guimarães. Tínhamos combinado de tomar um vinho e bater um papo antes de ela embarcar para a Europa. De malas prontas para curtir as férias, Cissa contou os detalhes — e os bastidores — de sua mais recente aventura: um ensaio sensual para a revista Sexy. Entre uma pipoca e outra, uma taça de vinho e outra — e muitas gargalhadas —, discutimos o universo feminino, esse território tão cheio de nuanças. Até onde vai, afinal, a nossa vaidade?

Por que você resolveu posar nua para a Sexy?
A Ariani Carneiro, que me produziu para a Playboy em 92, ligou dizendo que estava trabalhando para a Sexy. Ela queria fazer um “upgrade” na revista e achava que eu podia levantar a bandeira. Eu seria uma novidade para os leitores, não mais uma menina de 20 anos. Achei bacana.

Podemos dizer que dessa vez posar nua foi mais uma questão de vaidade, de auto-afirmação aos 48 anos?
Eu acho que é por aí. Mas não é essa vaidade assim: “Quero que todo mundo veja que eu estou bonitona”.


Juro por Deus! Minha conquista em 2005 foi posar pelada aos 48 anos. As mulheres me param na rua muito mais do que os homens. Elas estão comprando a revista. Olha que barato esse movimento. É uma vaidade de postura, de atitude. Até porque todo mundo sabe que existe um Photoshop que corrige uma coisa errada ou outra.

Você acredita no tal nu artístico? Isso ajuda a tomar a decisão?
Eu acho que o meu ensaio é totalmente artístico. Escolhi tudo e fiz uma historinha. Eu quis o teatro, o elenco, a platéia... Bebi vinho mesmo, sabe? Fui entrando na onda. Colocamos música, incenso... Curti mais fazer a Sexy do que a Playboy.

Por quê?
Me senti mais sensual e tive autoridade para escolher. Acho o meu primeiro ensaio bonitinho, mas não vejo comparação. Eu tenho muito mais orgulho do meu ensaio aos 48 anos do que aos 35. A maturidade me trouxe uma sensualidade mais gostosa. É como se eu tivesse finalmente me assumido.

Então você se sente melhor aos 48?
Acho que estou na minha melhor fase de vida. Quando fiz 40, fiquei com medo de não querer mais sair, dançar, beber... O mais legal que aconteceu comigo foi aprender a ficar sozinha. Aprender e gostar.

Como você enxerga a vaidade?
A vaidade é quase um pecado. Tem que saber dosar, usar a seu favor. Ela é perigosa, poderosa. Se você não tiver cabeça, estrutura, a vaidade pode te comer inteirinha. Eu sou vaidosa, mas não sou uma fashion victim. Meu Deus, não se pode repetir um vestido duas vezes!

Você acha que a mulher é mais vaidosa do que o homem? Ou ela apenas assume e demonstra mais a sua vaidade?

Acho que a mulher é mais vaidosa, sim. A gente gosta de se cuidar desde pequena. Mas os homens estão se cuidando também. Eu acho legal homem se preocupar com a estética, mas não sei se gosto de homem muito vaidoso. É uma coisa feminina. Claro que eu quero um homem que se cuide, que use uma roupa transada. Só não quero homem passando produto no cabelo, entende?

Você também não acha que o homem prefere mulher vaidosa e por isso essa preocupação feminina com a estética?
Faz parte da essência do macho achar graça em uma fêmea enfeitada. Isso eu já ouvi: “Sabe que o barato é que você é feminina...”. E a mulher também sente prazer em se cuidar pra ele. Tem características que são da natureza.

Os homens hoje querem cada vez mais mulheres mais jovens. Isso gera insegurança na mulher de 50?
Sim, mas eu acho que os meninos também gostam de mulheres mais velhas. Para mim, tem que ser da mesma idade ou mais novo. Eu acho curioso como uma menina de vinte e poucos anos, toda gatinha, acha graça num cara de 50.

“A VAIDADE É QUASE UM PECADO. TEM QUE SABER DOSAR. ELA É PERIGOSA, PODEROSA. SE VOCÊ NÃO TIVER ESTRUTURA, A VAIDADE PODE TE COMER INTEIRINHA”


Eu acho que as mulheres não se preocupam tanto com a beleza. Queremos caras mais seguros, mais experientes, não concorda?
Fui casada com um homem 17 anos mais velho. Para o homem é bacana ter uma mulher mais moça e para a mulher é bacana ter um homem que segure a onda dela. Mas é tudo rótulo. Eu vejo isso como uma vaidade excessiva, coisa do ego, não só da estética. Eu acho que o ideal é ter um cara da minha praia, que tenha vivido o que eu vivi, que entenda as coisas que eu falo, que esteja a fim de fazer as coisas que eu quero. Ouvir techno todo dia? Não quero. Quero ficar na cama vendo DVD. Qual é a idéia?
Não é a troca?

O que você faz para se cuidar?
Adoro cuidar de mim. Adoro! Tenho caixas e caixas de cremes, demoro horas no banho, faço esfoliação, passo óleos, perfume o dia inteiro. Passo perfume até para dormir, inclusive sozinha.

Exercícios?
Alongamento, musculação e um pouco de aeróbica. Mas eu quero fazer as coisas de que eu gosto: jogar frescobol na praia, dançar a noite inteira que nem uma doida. A minha vaidade é canalizada para este lado: quero ser uma mulher antenada. Viajei e fiquei embarcada 15 dias no Caribe, lavava o cabelo com água e sabão. Sobrevivo lindamente. Adoro aventuras.

O que você mais curte — e menos curte — no seu corpo?

O que eu mais curto depois de três filhos é o meu abdômen. Agora, uma coisa de que não gosto muito é a minha bunda. Detesto essa coisa grande. Poxa, eu sou pequena. Às vezes pareço um barril. Fico puta.

Você posaria para a Trip?
Acho que se tivessem me convidado antes da Sexy para fazer um ensaio bacana, moderno, eu teria topado. Eu gosto dos ensaios da Trip. Agora, não. Eu já estou pelada demais.





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