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Juliana Mota, 28 anos,
é jornalista e apresenta aqui suas
novas descobertas culturais e gastronômicas:
dois recém-inaugurados endereços
cariocas e clássicos do cinema italiano
e da literatura
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| Cena do filme
As Amigas: trocando figurinhas
em 1955 |
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SÓ
MUDOU A ÉPOCA
A
relação entre amigas filmada
há 50 anos sob direção
do italiano Michelangelo Antonioni poderia
se passar hoje em dia, e ser a nossa vida
real
Outro dia comprei
o DVD As Amigas. Foi uma compra de
impulso, um pouco por conta de uma antiga
simpatia pelo diretor, o mesmo de A Noite,
de 1960, que adoro, e um pouco porque gostei
do título e achei a capa bonita, assumo.
Mas valeu: amei! Filmado em 1955, passa-se
na cidade de Turim, na Itália, e trata
de um grupo de cinco amigas, todas lindas
e superelegantes, que vivem às voltas
com seus encontros e desencontros amorosos.
Por meio dos desejos e angústias das
personagens, Antonioni faz uma instigante
reflexão sobre a sociedade da época,
revelando preconceitos, códigos e dilemas.
Com belíssima estética em preto-e-branco,
o que mais me encantou foi o fato de o filme
ser superatual, com várias situações
que, de uma maneira mais ou menos profunda,
nós, mulheres do século 21,
já vivemos com amigas, amores...
Vai lá: As
Amigas (Le
Amiche – 1955),
dir. Michelangelo Antonioni, R$ 36,90, www.fnac.com.br
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Ju Mota no Miam Miam: uma
de suas mais novas descobertas gastronômicas
Ju Mota veste: vestido Adriana Barra
para Clube Chocolate; colar
Lídice Caldas |
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NOVOS
SABORES
Perambulando
pelas ruas do Rio, ela conheceu dois bem guardados segredos:
o bar Da Graça e o restaurante Miam Miam. Agora,
eles são paradas obrigatórias em seu roteiro
noturno
Desde a primeira vez que pisei
nesses dois lugares, soube que viraria habituée.
O bar Da Graça fica numa bucólica esquina
do Horto, com vista para o Jardim Botânico. Definitivamente
cheio de graça, o lugar é perfeito para
uma caipirinha de fim de tarde ou um drinque tranqüilo
no fim de semana. O bolinho de arroz é uma delícia.
A decoração é barroca com charme
kitsch. O balcão da antiga lanchonete que antes
funcionava ali foi mantido e, atrás dele, uma coloridíssima
parede forrada com tecidos estampados alegra os convivas.
Para abençoar, relicários, santinhos e imagens
religiosas. Na mesinha ao lado da porta há um lugar
estratégico de onde se vê o Cristo Redentor.
O Miam Miam é puro aconchego. Batizado com a onomatopéia
francesa (o nosso nham nham), aposta em comida simples,
mas muito gostosa. Como comer na casa da vovó,
sabe? A moqueca com arroz de coco da chef Roberta Ciasca
é imperdível. É delicioso sentar
no lounge e prosear a noite toda, num clima “lá
em casa” com ótima trilha, assinada por DJs
como Rick Novaes e Nado Leal. Instalado numa casa do fim
do século 19, o restaurante é decorado com
móveis retrôs, à venda para quem se
apaixonar.
Vai lá: Da Graça, (21)
2249-5484, r. Pacheco Leão, 780. Dica: porção
com cinco bolinhos de arroz (R$ 10). Miam Miam, (21) 2275-7855,
r. General Goes Monteiro, 34. Dica: moqueca de peixe e
camarão ao molho suave de creme com arroz de coco
queimado (R$ 27,30)
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CLÁSSICO
DOS 80
A
Insustentável Leveza do Ser,
de Milan Kundera, caiu nas mãos
dela por acaso.
E agora anda falando sobre os acasos
da vida
Quase todos
os meus amigos de trinta e tantos já
leram. E numa noite dessas fui dormir
na casa de minha mãe e, ao deitar,
no quarto do meu irmão, de vinte
e poucos, vi o livro ali, na mesa-de-cabeceira.
Peguei para dar uma olhada. Pronto,
não consegui largar. Trata-se
de uma edição antiga,
de 1986, que depois Bernardo (meu irmão)
me contou que garimpou da biblioteca
meio esquecida de nossa mãe.
Praga é o cenário principal
dos encontros e desencontros dos quatro
personagens centrais: Tomas, Tereza,
Sabina e Franz. Mas o que mais vem me
encantando é a discussão,
sempre nas entrelinhas, entre o peso
e a leveza, uma adorável contradição
com a qual nos deparamos a todo momento.
Adoro também a idéia das
coincidências, dos poderosos acasos
que a vida nos oferece. |
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Aliás, esse livro cair em minhas mãos
foi mais um desses: o vizinho estava em obras e
meu apartamento ficou sem água quente, e,
por acaso, fazia muito frio e fui tomar banho na
casa de minha mãe, e, por acaso, acabei dormindo
por lá, no quarto de meu irmão, que,
por acaso, estava viajando... e o livro ali, por
acaso, na mesinha... Aí vai um trecho que
ilustra bem essa história: “Nossa vida
quotidiana é bombardeada de acasos, mais
exatamente de encontros fortuitos entre as pessoas
e os acontecimentos – aquilo que chamamos
de coincidências. Existe co-incidência
quando dois acontecimentos inesperados acontecem
ao mesmo tempo, quando eles se encontram”.
Vai lá:
A Insustentável Leveza do Ser,
de Milan Kundera, editora Companhia das Letras,
352 págs., R$ 45,50, www.saraiva.com.br
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