“SOMOS TODOS POLICIAIS DO SISTEMA. TODOS VIGIAM TODOS PARA QUE NINGUÉM FAÇA O QUE TODOS GOSTARIAM DE FAZER. SOMOS CARCEREIROS E PRISIONEIROS”

Por trás disso existe um culpado?
Somos todos culpados. Porque você que se diz liberal está olhando para a sua amiga e se ela for meio galinha você é a primeira que dirá: “Olha aquela lá, que coisa”. Somos todos policiais do sistema. Todos vigiam todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer. Somos todos carcereiros e prisioneiros.

Qual a solução?
Acho que sinceridade é a única solução que existe. Desde muito cedo: “Olha, gosto muito de você, mas enquanto nossa ligação nos proíbe de qualquer movimento amoroso você é meu inimigo. Então, se você não quiser ser meu inimigo, se eu tiver uma outra chance amorosa de boa qualidade, eu concilio”. Que o amor não seja uma prisão recíproca, porque ele se transforma imediatamente em exigências implícitas.

O senhor sempre foi inquieto com essas questões? Mesmo na infância?

Olha, muito moleque eu nunca fui. Nasci em Santo André, São Paulo, e era muito tagarela, lia muito, me interessava por coisas novas, em interagir com a família, que era enorme. Minha mãe tinha 12 irmãos, seis homens e seis mulheres, todos operários da fábrica do meu pai.

O senhor teve uma educação católica, tanto em casa como na escola?

Tive, minha mãe era muito católica.

E como fez para se libertar desses detritos morais e estudar as relações humanas e o sexo sem preconceitos?
Aconteceu muito cedo. A pior coisa que o cristianismo fez para mim foi condenar a masturbação. Uma histeria completa, porque eu acabava fazendo e me arrependia. Fazia e depois dizia que nunca mais ia fazer.