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Depois de
todos esses anos, o senhor conseguiu entender um pouco mais
a mulher, e o que nos dá prazer?
Gaiarsa. Não [risos]. Olha, achar que homem
e mulher têm sexos parecidos é a maior imbecilidade
do planeta. “Ah, eu tenho orgasmo toda vez”, elas
dizem na cara do garotão. A idéia geral de que
devo ter orgasmos fica subtendida como o dele, e, como o dele
é carnavalesco, ela acaba imitando o inconsciente involuntário.
Pode até sentir alguma coisa boa, não é
que não, mas ela está seguindo uma indicação
de orgasmo que não é dela. É: “Não
quero ser a inferior, posso me divertir tanto quanto ele”.
Mas para a mulher sexo ainda é mais tabu do que
para o homem.
Se uma mulher segue seu destino, se desde pequena ela brinca,
se aprende a se masturbar com arte, não. Não é
assim: “Vou depressa para acabar”. É: “Deixe-me
sentir tudo o que posso sentir”. No relatório Hite
[estudo sobre a sexualidade feminina, publicado em 1976, e que
causou impacto na época porque continha revelações
como a que dizia que o clitóris é o ponto-chave
do prazer feminino] tem relatos de mulheres que aprendem
a se masturbar e tem estados orgásticos durante o tempo
que quiserem, o que jamais aconteceria com o homem, a não
ser que ele faça um curso de ioga tântrica na Índia
de 5000 anos atrás [risos]. O homem vai e acaba.
Fim. Chega uma explosão e depois brocha, fica a zero.
Eles falam muito, mas a maioria dos homens dá uma e pára.
E dorme [risos]. É clássico. E ela se
irrita. Ela é muito mais difícil de acordar, mas
se é bem acordada tem possibilidade de estados orgásmicos
intermináveis.
“SEGUNDO A IOGA MILENAR, SEXO ERA UMA ARTE ELABORADÍSSIMA,
EM QUE O HOMEM TENTAVA APRENDER COM A MULHER COMO É QUE
ELA TINHA TANTO PRAZER”
Tecnicamente podemos sentir mais coisas do que eles?
Segundo a ioga milenar, sexo era uma arte elaboradíssima,
em que o homem tentava aprender com a mulher como é que
ela tinha tanto prazer. O homem tentava imitá-la. O homem
pode ir treinando segurar, segurar, segurar e demorar muito
tempo. Tudo isso é mais ou menos bem estabelecido, meio
falado, mas muito pouco feito. Em primeiro lugar você
precisa ter com quem. E admitir o que ninguém admite:
“Olha, eu não sei como é, não sei
nada, estou cheio de vícios e você também.
Vamos tentar reaprender?”. Precisa ter alguém que
tenha coragem para dizer: “Não sei nada, vamos
começar do começo”.
O casamento é uma prisão?
Nem discuto isso porque para mim é a coisa mais evidente
do mundo. Aliás, você jura diante de Deus, das
testemunhas, que vai amar até o fim da vida. Não
tem cabimento uma coisa dessas.
E isso é impossível?
Não acho impossível, mas acho impossível
jurar isso. Como é que posso prometer uma coisa dessas?
Tinha que ser: “Estou amando você, vamos fazer força
para durar”. Agora, “Juro que vai durar a vida toda?”.
É a repressão matrimonial. Ou seja, falamos da
repressão sexual e agora da matrimonial, que é
seguida pela repressão maternal. |
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