Você é workaholic?
Sou. Já fiz de tudo na TV Globo.

Tudo o quê?
Comecei na Globo da Bahia. Fiz a cobertura de um acidente sofrido por um candidato na época das eleições em 82 e por acaso o Alberico Souza Cruz [na época diretor da Central Globo de Jornalismo] viu, gostou e me convidou para vir para o Rio. Eu não queria vir não! Já tinha 30 anos, a minha casa, meus amigos em Salvador. E era gostosíssimo trabalhar na Bahia nos anos 70 e 80, com todas aquelas coisas acontecendo. Mas, quando ele me convidou pela segunda vez, fui.

Como foi essa chegada ao Rio de Janeiro?
Fiquei fascinada. Era editora do RJ TV. Em três ou quatro meses, virei editora-chefe. Logo depois me chamaram para ser chefe de reportagem. Um trabalho em que você precisa conhecer a cidade, administrar 17 equipes. Eu disse que era uma loucura, nem sabia onde era Jacarepaguá. Logo depois fui para o Jornal Nacional para ser uma das editoras.

E como você foi parar no GNT?
Um dia o Alberico me chamou para conversar. Isso foi em 91. TV por assinatura era uma coisa completamente desconhecida. Ele disse que o Boni queria uma pessoa para coordenar um novo canal de jornalismo. Eu era do segundo escalão, não podia imaginar isso acontecendo comigo, mas falei: “Topo”. Passei a ter reuniões com o Boni, com pessoas com quem nem imaginava que ia conversar um dia. Logo me vi no Rio Comprido [onde funciona a Globosat], em um prédio que mais parecia um almoxarifado, com uma folha em branco na mão e tendo que dar vida a um canal de televisão. Era para ser um canal de jornalismo, como se fosse a Globonews. Não tinha idéia de como começar a fazer isso.

“ME VI EM UM PRÉDIO QUE PARECIA UM ALMOXARIFADO, COM UMA FOLHA EM BRANCO NA MÃO, TENDO QUE DAR VIDA A UM CANAL DE TELEVISÃO. NÃO TINHA IDÉIA DE COMO COMEÇAR”


Entrou em pânico?
Não. Sabia que ia precisar fazer e fiz. Contratei três âncoras e achava que ia conseguir fazer o que a Globonews faz hoje. Que ia fazer um jornalismo 24 horas sem usar todas as facilidades técnicas e de produção da Globo. Foi um erro. Mas aí a gente percebeu que não ia dar certo e começou a mexer na programação. Comecei a comprar documentários internacionais variados, de bichinhos, comportamento, programas jornalísticos. Não tinha pesquisa, nada. Era tudo by heart. A gente pensava: “Se eu estivesse vendo esse canal adoraria ver o quê? Isso e aquilo”. Não tinha método. Errei muito, contratei três âncoras, vi que não ia dar pra fazer jornalismo e eles nem chegaram a entrar no ar.