Sobre
Coco Chanel, o filósofo francês Roland Barthes
disse em 1967: “Ela não escreve com papel e tinta,
mas com pano, cores e formas”. O conceito se aplica
perfeitamente à nossa personagem. Adriana Barra é
sensível como Clarice Lispector, divertida como Adriana
Falcão, transgressora como Hilda Hilst e irreverente
como Clarah Averbuck. Trata-se da inovadora absoluta: jovem,
impulsiva, intuitiva; delicadamente louca.
O curioso é que tanta irreverência tenha surgido
no coração da elite bem-comportada paulistana,
estudado em uma das escolas mais conservadoras da capital
(o colégio São Luís) e sido criada com
luxo e mimo em família de classe alta católica.
Praticante do popular ditado que nos encoraja a ser a mudança
que gostaríamos de ver no mundo, ela faz campanha por
um planeta mais colorido, mais divertido, mais bem-humorado,
mais criativo.
Adriana promove seus sonhos criando vestidos estampados em
uma pequena loja de 80 metros quadrados situada em uma minúscula
vila no coração dos Jardins, em São Paulo.
Misturada à natural confusão sentimental adolescente,
essa rebeldia a princípio se manifestou de forma tempestuosa:
entediada em festas caretas, subia no balcão e dançava
para quem quisesse ver. Tanta loucura fazia com que seus amigos
acreditassem que Adriana era caso perdido.
Terminado o ensino médio, foi rodar o mundo sem prazo
para começar a ser adulta. Aos 25 anos achou que era
hora de fazer uma faculdade e, a fim de se tornar decoradora,
foi cursar a Santa Marcelina, em São Paulo. Logo depois
da graduação, com quase 29 anos, como você
vai ler a seguir, um acontecimento mudou o curso dessa história.
Hoje, 31 anos, casada com o fotógrafo francês
Frederic Jean e mãe da pequena Amèlie, leva
uma vida careta classe média paulistana. Tudo porque
encontrou na moda uma forma saudável de enlouquecer
e, mais fundamental, emprestar à elite comportada um
pouco de sua essencial e estampada loucura – que faz
a cabeça e o guarda-roupa de gente como Malu Mader,
Camila Pitanga, Ivete Sangalo e Regina Casé.
Com vocês, uma revolucionária – em trinta
cores.
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