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Solução fácil
Em vez de procurar um terapeuta ou um médico, muita gente
opta por tomar o primeiro laxante que estiver ao alcance. E
esquece que curar temporariamente o sintoma não é
remédio. “Isso pode virar uma bulimia. Existem
muitas mulheres viciadas em laxantes”, conta Mara. Tanto
a médica, alopata tradicional, como os adeptos da medicina
oriental concordam que é fundamental olhar o que saiu
de dentro de você, afinal, as fezes são termômetro
da saúde dos mais fiéis.
“Toda vez que você fizer uma merda na vida, tem
que olhar bem para ela para entender o que aconteceu.”
É assim que a sofisticada Márcia de Luca, uma
das brasileiras mais entendidas em medicina ayurvédica,
ciência indiana milenar, e que faz cocô três
vezes ao dia, começa o papo com a reportagem da
Tpm. Aos 52 anos, cara de 40 e pique de 20, ela
revela que essa estupenda relação com a própria
merda nasceu do contato com a Índia, estabelecido 22
anos atrás. Segundo a medicina ayurvédica, a causa
principal de todas as doenças é o acúmulo
de toxinas no organismo. “Arrotar, soltar gases, evacuar
são necessidades fisiológicas que não devem
ser repreendidas”, atesta. Mariana Corrêa, oncologista
do Hospital Oswaldo Cruz, de São Paulo, concorda.
O paulista Cristovão de Oliveira, que aplica a massagem
ayurvédica para fins terapêuticos e que viveu durante
um ano e meio entre Índia e Nepal, conta que para os
orientais o que é sujo deve ser imediatamente colocado
para fora. “No ocidente as pessoas se preocupam em manter
a aparência limpa e não se importam se lá
dentro está tudo podre.” O terapeuta também
é adepto do “comeu, eliminou”. Para ele,
as pessoas têm que ir ao banheiro três vezes ao
dia. Além disso, se querem ter mais facilidade para eliminar
as toxinas, precisam se reeducar. Um bom começo é
parar com a mania de só ir ao banheiro da própria
casa. “Este é um comportamento possessivo: ‘Meu
banheiro’.”
Amarras sexuais
Uma das regiões em que a mulher sente mais prazer é
a do baixo abdômen. Se ela está enfezada, os órgãos
reprodutores acabam massacrados pelo inchaço do intestino
e aí dificilmente será possível dar uma
daquelas transadas sensoriais, em que cada toque é motivo
de prazer.
Jacob Pinheiro Goldberg, apoiado na psicanálise, reforça
a tese de que a mulher levou para a cama a idéia que
lhe foi colocada na cabeça desde a infância, de
que garota elegante é aquela que não evacua. “Ainda
está no subconsciente da mulher que ela deve corresponder
à expectativa masculina de ser pura e santa”,
diz.
O terapeuta explica que essa atitude feminina não é
100% inconsciente: as mulheres aprendem, desde pequenas, que
seus bumbuns podem ser objetos de desejo e sedução.
Para que se livrem dessas amarras, aconselha que comecem se
libertando desse pensamento embutido do desejo masculino. “As
mulheres precisam ter ciência de que podem deixar de ser
objeto para se tornarem sujeito do desejo e, assim, tratar suas
bundas como um instrumento para que defequem como, quando e
onde quiserem.” Ele também sugere pequenos processos
de libertação. Freqüentar qualquer banheiro
é o começo. Passar a fazer cocô em viagens
com o namorado, um passo adiante. E verbalizar a coisa, um grande
progresso. “Dizer ao parceiro que você está
indo fazer cocô e tratar isso com naturalidade é
extremamente libertador.”
Mais sobre cocô na Tpm # 43.
Na mesma edição, a psicanalista Diana Corso reflete
sobre o tabu fecal feminino e Xico Sá fala sobre o charme
da prisão de ventre. Já nas bancas
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