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*34, fotógrafa,
neocarioca, neomãe das recém nascidas
Miranda e Capitu, amante da boa mesa, do bom vinho e
da cerveja gelada. Ex-fumante, ex-modelo, ex-solteira,
ex-paulistana, ex-grávida e se sentindo simplesmente
uma vaca leiteira. Voilà! FALE COM ELA: paulaprandini@trip.com.br
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Qual a peça do guarda-roupa
de que você mais gosta?
Meu pai, palmeirense, sempre me levava
ao estádio. Eu adorava. Mas minha mãe
conta que virei a casaca quando vi a fiel
torcida festejando o título de 77.
Desde então, sou fanática. Timããão,
ê ô, Timããão,
ê ô!
Vá lá: lojinha Poderoso
Timão: (11) 6191 1146, camisa oficial
infantil (R$ 99,90); à venda também
na Roxos e Doentes
www.roxosedoentes.com.br
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1 COMO
DEIXEI DE SER MODELO
E VIREI FOTOJORNALISTA
Dez anos atrás, Shimizuo, dono do restaurante
paulistano Sushigen, me disse, enquanto preparava
meu sushi: “Jovens encontram seu caminho por
vias tortas. Com a idade, ficam mais espertos, e vão
em linha reta”. Justamente nessa época,
tinha abandonado a carreira de modelo. Modelava desde
os 14 anos, já tinha morado no Japão
e tentado sair da profissão uma vez. Foi aos
19 anos, quando fiz um estágio na TVT, ligada
ao PT. Fiquei três meses no Acre, numa produção
sobre a história de Chico Mendes. Passei pela
italiana RAI e pela TV Cultura. Se você pensar
que eu ganhava, em um dia de trabalho como modelo,
o equivalente ao salário de um mês como
iniciante em TV, vai entender minha tentação
em retornar à vida antiga. Voltei! Fiz um pé-de-meia
e, em 94, abri o Kurukuru, uma mistura de restaurante
japonês e italiano, na Vila Madalena. Mas essa
vida não me agradou. Queria ser fotojornalista.
Era preciso começar do zero: fui ser estagiária
do JT, e, em 98, comecei a trabalhar na Época.
Em 2000, fui morar em Paris, onde fiquei cinco anos,
trabalhando como fotógrafa para cinema: Central
do Brasil, Diários de Motocicleta, entre
outros. Este ano, voltei para ser mãe. O Shimizuo
tinha razão, embora até agora eu não
saiba se estou andando reto ou simplesmente curtindo
o balanço das curvas.
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2 PRODUÇÃO
DE RISCO
Nos anos que morei em Paris resolvi fazer um
ensaio fotográfico de homens nus, sem
tabus, mostrando tudo, mas também sem
cair no olhar vulgar ou pornográfico.
Como fotojornalista, meu prazer está
em interagir com o fotografado, retratando quem
ele é, e não apenas como o objeto
de minha imaginação. O primeiro
passo foi sair pelas ruas colocando pequenos
anúncios em murais de livrarias, bares
e afins. No anúncio eu explicava o que
queria e dava apenas o número do meu
celular. Esperava eles deixarem o recado e respondia
aos que me pareciam do bem. Depois, marcava
um rendez-vous em lugares públicos. A
idéia era fazer os retratos no ambiente
deles: tudo para deixá-los com total
liberdade de expressão. Os escolhidos
não foram pagos, nem tentaram ter alguma
coisa comigo, o que, cá entre nós,
era uma possibilidade, já que éramos
apenas nós dois num ambiente fechado.
Uma rápida análise me levou a
concluir que eram homens a fim de testar a própria
sexualidade. E era exatamente neste ponto que
eu queria chegar: encontrar quem estivesse a
fim de se sentir desejado. Minha idéia
era não mostrar os rostos justamente
para obrigar o espectador a encarar o corpo
do homem. Nas páginas seguintes você
vê um desses retratos.
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3
PAULA
PRANDINI

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UMA
DECLARAÇÃO
DE AMOR
Foi na minha festa de
aniversário de
2003, em Paris, que
conheci o Jonathan.
Ele era cineasta, americano,
tinha 42 anos e ganhou
meu coração
no dia em que cozinhou
para mim. Hoje estamos
morando no Rio de Janeiro,
com Chet, meu golden
retriever, e as gêmeas
que nasceram em abril.
No dia que eu estava
escrevendo este texto,
quando o Jonathan voltou
do passeio matinal com
o Chet, ele disse: “Paula,
estava pensando, quando
saí com o Chet
e catei o cocô
dele, que passei a noite
limpando o cocô
das meninas. Quanto
cocô você
trouxe para a minha
vida! Mas eu queria
te agradecer, pois passei
a vida cuidando apenas
de mim mesmo, e, aos
43 anos, descobri que
esses são gestos
de puro amor: cuidar
do outro. Limpar o cocô
delas e do Chet me deixa
muito feliz!”. |
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