EDIÇÃO # 43
Maio 2005
Marina Person
Monja Coen
Jéssica Desilva
Paula prandini
Mariana Dupas
 
     
 


 

*34, fotógrafa, neocarioca, neomãe das recém nascidas Miranda e Capitu, amante da boa mesa, do bom vinho e da cerveja gelada. Ex-fumante, ex-modelo, ex-solteira, ex-paulistana, ex-grávida e se sentindo simplesmente uma vaca leiteira. Voilà! FALE COM ELA: paulaprandini@trip.com.br


Qual a peça do guarda-roupa de que você mais gosta?
Meu pai, palmeirense, sempre me levava ao estádio. Eu adorava. Mas minha mãe conta que virei a casaca quando vi a fiel torcida festejando o título de 77. Desde então, sou fanática. Timããão, ê ô, Timããão, ê ô!

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1 COMO DEIXEI DE SER MODELO
       E VIREI FOTOJORNALISTA

Dez anos atrás, Shimizuo, dono do restaurante paulistano Sushigen, me disse, enquanto preparava meu sushi: “Jovens encontram seu caminho por vias tortas. Com a idade, ficam mais espertos, e vão em linha reta”. Justamente nessa época, tinha abandonado a carreira de modelo. Modelava desde os 14 anos, já tinha morado no Japão e tentado sair da profissão uma vez. Foi aos 19 anos, quando fiz um estágio na TVT, ligada ao PT. Fiquei três meses no Acre, numa produção sobre a história de Chico Mendes. Passei pela italiana RAI e pela TV Cultura. Se você pensar que eu ganhava, em um dia de trabalho como modelo, o equivalente ao salário de um mês como iniciante em TV, vai entender minha tentação em retornar à vida antiga. Voltei! Fiz um pé-de-meia e, em 94, abri o Kurukuru, uma mistura de restaurante japonês e italiano, na Vila Madalena. Mas essa vida não me agradou. Queria ser fotojornalista. Era preciso começar do zero: fui ser estagiária do JT, e, em 98, comecei a trabalhar na Época. Em 2000, fui morar em Paris, onde fiquei cinco anos, trabalhando como fotógrafa para cinema: Central do Brasil, Diários de Motocicleta, entre outros. Este ano, voltei para ser mãe. O Shimizuo tinha razão, embora até agora eu não saiba se estou andando reto ou simplesmente curtindo o balanço das curvas.


2
PRODUÇÃO DE RISCO

Nos anos que morei em Paris resolvi fazer um ensaio fotográfico de homens nus, sem tabus, mostrando tudo, mas também sem cair no olhar vulgar ou pornográfico. Como fotojornalista, meu prazer está em interagir com o fotografado, retratando quem ele é, e não apenas como o objeto de minha imaginação. O primeiro passo foi sair pelas ruas colocando pequenos anúncios em murais de livrarias, bares e afins. No anúncio eu explicava o que queria e dava apenas o número do meu celular. Esperava eles deixarem o recado e respondia aos que me pareciam do bem. Depois, marcava um rendez-vous em lugares públicos. A idéia era fazer os retratos no ambiente deles: tudo para deixá-los com total liberdade de expressão. Os escolhidos não foram pagos, nem tentaram ter alguma coisa comigo, o que, cá entre nós, era uma possibilidade, já que éramos apenas nós dois num ambiente fechado. Uma rápida análise me levou a concluir que eram homens a fim de testar a própria sexualidade. E era exatamente neste ponto que eu queria chegar: encontrar quem estivesse a fim de se sentir desejado. Minha idéia era não mostrar os rostos justamente para obrigar o espectador a encarar o corpo do homem. Nas páginas seguintes você vê um desses retratos.

3 PAULA PRANDINI

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR
Foi na minha festa de aniversário de 2003, em Paris, que conheci o Jonathan. Ele era cineasta, americano, tinha 42 anos e ganhou meu coração no dia em que cozinhou para mim. Hoje estamos morando no Rio de Janeiro, com Chet, meu golden retriever, e as gêmeas que nasceram em abril. No dia que eu estava escrevendo este texto, quando o Jonathan voltou do passeio matinal com o Chet, ele disse: “Paula, estava pensando, quando saí com o Chet e catei o cocô dele, que passei a noite limpando o cocô das meninas. Quanto cocô você trouxe para a minha vida! Mas eu queria te agradecer, pois passei a vida cuidando apenas de mim mesmo, e, aos 43 anos, descobri que esses são gestos de puro amor: cuidar do outro. Limpar o cocô delas e do Chet me deixa muito feliz!”.



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