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58, trabalhou como jornalista
no Jornal da Tarde na década de 60, e, aos 36,
virou monja zen-budista. Morou no Japão de 83
a 95. Há três anos, fundou a Comunidade
Zen Budista, em São Paulo. FALE COM ELA: monjacoen@trip.com.br |
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Qual a peça do guarda-roupa
de que você mais gosta?
O incenso japonês que uso para
meditar. Além de me elevar espiritualmente,
ele dura exatamente o tempo da meditação.
Vá lá: Comunidade Zen
Budista, (11) 3062 8964, r. Arruda Alvim 127
B, Pinheiros, São Paulo, (R$ 2)
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1 MEDITAÇÃO
Zazen é o ato de sentar para meditar. Na minha
opinião, o principal benefício da meditação
é o fato de ela nos tornar mais plenos de energia
vital. Mas também é um meio de diminuir
o estresse e a ansiedade, além de regular batimentos
cardíacos e pressão arterial. Bastam
alguns minutos pela manhã e um tempinho durante
o dia, quando sentir vontade de encontrar o sagrado.
Procure um lugar silencioso, nem muito quente, nem
muito frio, e que não seja demasiadamente claro
ou escuro. Escolha uma parede lisa e sente-se, de
costas para ela, a um metro de distância. Permaneça
sob uma destas posições – a popular
perna cruzada, lótus (pé esquerdo sobre
a coxa direita e pé direito sobre a coxa esquerda),
meio lótus (um dos pés sobre a coxa
contrária e o outro dobrado no chão,
embaixo da outra perna) ou sentada sobre as pernas
e os pés. Com a coluna ereta, junte os dedos
da mão esquerda com os dedos da mão
direita, voltados para cima. Os polegares se tocam
bem de leve, como se houvesse uma folha de papel entre
eles, formando uma figura oval. Solte todo o ar pela
boca. Coloque a ponta da língua no céu
da boca, atrás dos dentes frontais. Deixe os
olhos entreabertos, suavemente pousados. Procure relaxar
qualquer tensão. Ouça todos os sons.
Perceba odores, aromas e observe sua mente. Pensando?
Não pensando? Esse é o princípio
do Zazen. É o caminho da libertação
das amarras que criamos e nas quais nos prendemos,
que geram sofrimento.
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2 ANTENAS
LIGADAS
Na correria do dia-a-dia, às vezes nos
esquecemos de prestar atenção
em várias coisas. O costume de ficar
alerta – na medida certa – é
ótimo para melhorar nossa relação
com a vida. Por exemplo, ao levantar de manhã,
perceba com que pé saiu da cama, como
toca a maçaneta da porta (ela é
quente ou fria?). Que mão você
usa para pegar o sabonete? Qual sua fragrância?
Qual a temperatura da água do banho?
Cultive a plena atenção no que
está fazendo. Lave bem o rosto, cuidadosamente.
Escove os dentes, um por um, com ternura. Vista
a roupa com alegria, para se cobrir, para ficar
bem, para alegrar quem a vir. Sente-se por alguns
momentos, respirando naturalmente. E, quando
bater aquele momento estranho durante o dia,
pare e respire de novo. Sinta os pés
no chão, a coluna reta, a brisa no rosto.
Aos poucos, incorpore essa percepção
aguçada e tente se livrar dos vícios
da pressa.
“Quando
abrimos as mãos, o universo inteiro cabe
nelas. Precisamos ser capazes de abrir mão
do que temos para receber mais”
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3
BELEZA
ZEN
Minha superiora no Japão, Shundo
Aoyama Rôshi, 75, há dois
anos lançou o livro de contos
Para uma Pessoa Bonita. A mestra
zen-budista reuniu diversos ensaios
a partir de sua vivência no Japão,
onde se formou em estudos budistas na
Universidade de Komazawa. O livro mostra
como podemos nos tornar realmente belas
por meio do olhar feliz, do coração
aberto. Não tem nada a ver com
a beleza efêmera, que o tempo
dilui, mas sim com postura de vida.
Vá
lá: Para uma Pessoa
Bonita – Contos de uma Mestra
Zen, ed. Palas Athenas, 256 págs.,
R$ 32, www.siciliano.com.br
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RITUAL
DIÁRIO
Nos mosteiros zen, antes
de entrar no banheiro,
fazemos uma oferta de
incenso e uma reverência.
Então, nos sentamos
adequadamente no vaso
e colocamos as mãos
em shashu, ou seja,
o polegar da mão
esquerda fica dentro
da palma da mão,
abraçado pelos
outros dedos. A mão
direita fica por cima
do punho cerrado da
mão esquerda.
Ambas permanecem juntas,
quatro dedos acima do
umbigo. A postura ereta
e a respiração
correta ajudam o fluxo
intestinal. Repetimos
algumas vezes o seguinte
mantra: U SU
SA MA MYÔ Õ.
Assim, estamos prontos
para evacuar, uma atividade
tão sagrada como
qualquer outra. |
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