Um
dia antes da data marcada para a sessão de fotos
com a Tpm, Daniel Oliveira
resolve não posar para este ensaio. Conta que
não está legal física nem psicologicamente,
diz que emagreceu no fim de semana, que anda cansado
e sem dormir. Depois de alguma insistência, muda
de idéia. “Foi mal o transtorno de ontem.
É que misturou o mau humor de duas noites de
insônia, virando de um lado para o outro na cama,
com uma estafa física e mental”, explica.
“Estou há três anos sem férias,
emendando um trabalho no outro. Agora que parei, veio
a baixa de resistência. Sabe quando fica tudo
à flor da pele e você se dá conta
de que está estressado e que precisa se recolher
um pouco? Vim de uma pegada muito forte.”
A bateria ininterrupta de trabalho a que Daniel, 27,
se refere teve início com as filmagens de Cazuza
– O Tempo Não Pára, em julho
de 2002, e continuou com as minisséries Um
Só Coração e Hoje É
Dia de Maria. Entre as duas, o ator pegou pesado
como protagonista da novela Cabocla e ainda
arrumou tempo para se dedicar à formação
de uma banda, a Pedras Pra Moer, que mistura rock clássico
com funk e até drum’n’bass.
Apesar de ter estreado na Globo em 1998 como o Marquinhos
de Malhação, foi depois de emagrecer
11 quilos e interpretar um pop star do filme de maior
bilheteria nacional do ano passado (Cazuza, de Sandra
Werneck, foi visto por mais de 3 milhões de pessoas)
que ele se tornou conhecido de fato. Virou queridinho
no mundo do cinema e foi valorizado na Globo.
Vida Louca Vida
A vida de Daniel é daquelas que daria um roteiro
de filme. Aos 7 anos, passou uma temporada no Iraque.
“Lembro bem essa época, me marcou muito.
Morávamos num acampamento e convivíamos
quase só com brasileiros. Tinha até um
Pitágoras lá dentro [escola mineira
estilo Objetivo] para a gente estudar.”
De volta ao Brasil, a família se virava como
podia. O pai virou taxista e a mãe, pedagoga,
ganhava a vida fazendo marmita para fora. Daniel e a
irmã dois anos mais velha, médica, cresceram
sem muitas regalias, no casarão dos avós
maternos, com quem sempre moraram. Estudavam ora em
escolas particulares, ora em colégios públicos.
“Minha mãe e minha avó ralavam pra
caramba e achei que tinha que ralar também. Mudei
o colégio para o turno noturno e arrumei emprego
de auxiliar de serviços gerais.” Daniel
tinha 16 anos. Incansável, resolveu usar os fins
de semana para fazer cursos no NET, escola de teatro
superpopular em Belo Horizonte. O que podia ser só
mais uma paixão – como o futebol –
virou de fato carreira.
“MINHA MÃE E MINHA AVÓ
RALAVAM PRA CARAMBA E ACHEI QUE TINHA QUE RALAR TAMBÉM”
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