| Quando você está mal,
precisando de uma ajuda, recorre para algum desses “encantados”
que você diz?
Tenho mil e uma rezas, tenho um elo de ligação com
essas coisas. Adoro quando minha mãe vai à igreja
e deseja coisas positivas para o Cordel, reza pela gente. Em momentos
difíceis até peço para ela rezar. Tem momentos
que desejo que as pessoas penetrem no nosso universo para que a
gente crie uma relação de espírito. Entendo
quando o Mano Brown, dos Racionais, diz, em uma de suas músicas,
que admira os crentes, também tenho essa visão. Antes
de entrar no palco tenho uma rotina de coisas que me deixam mais
seguro, algumas frases. Normalmente me retiro do agito, procuro
um lugar mais sozinho, e começo a dizer o nome de várias
pessoas que admiro. É engraçado porque às vezes
me pego dizendo nomes que nem tinha pensado dizer, sei lá.
Entre o nome de cantadores que conheci acabo dizendo o nome de alguma
pessoa que acabei de conhecer e de outros que nem conheci. Outro
dia me peguei dizendo o nome do Zé Celso Martinez, que conheci
há pouco tempo porque fiz três músicas para
O Homem Parte II. E, para mim, naquele momento, ele se
incorporou ao meu ritual. Sei que esse é um pequeno teatro
pessoal que faço para mim mesmo, mas nunca abandono isso.
Se não tiver esses cinco minutos entro muito inseguro no
palco.
Como aconteceu o convite da Bhrama para
a propaganda no carnaval?
Nossos fãs nos criticaram muito por causa disso. A gente
nunca filtrou as mensagens que mandam para o nosso site e nunca,
nunquinha, tínhamos recebido uma crítica. Foi só
fazer a propaganda da cerveja que choveram críticas. Acho
que alguns fãs não gostaram porque estão acostumados
à nossa trajetória totalmente independente e ao fato
de nunca termos sido ligados a nenhuma gravadora, com uma música
que não é hits de rádio. As pessoas têm
um pensamento de que você não pode se veicular a uma
marca, não pode “se vender”. Encarei essas críticas
como elogio, porque vi como as pessoas esperam coisas grandes da
gente. Foi muito legal isso ter acontecido porque eu realmente vou
pensar melhor quando pintar um convite como esse de novo. O caso
específico dessa propaganda achei legal fazer, porque o mote
da campanha era “a cerveja de todos os carnavais”, com
a Daniela Mercury representando o carnaval da Bahia, Dominguinhos
da Viradouro o do Rio e o Cordel representando a folia pernambucana.
Quando recebemos o convite, nos sentimos muito honrados. Eles não
maquiaram a gente, pelo contrário, aparecemos na propaganda
tocando como somos, com nosso cenário e nossos instrumentos.
Eu não consigo ter uma imagem negativa desse convite.
Coordenação de produção
Anita Castanheira Estilo Lara Gerin Beleza
Omar Bergea Assistente de Fotografia Pablo
Torrecilas Agradecimentos Cabo Mendes e
Casa das Caldeiras
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