Se você cruzar
com ele na rua, provavelmente nem vai notar a presença desse
cara magrelo, tímido e de poucas palavras. Já se assistir
a um show do Cordel do Fogo Encantado, dificilmente vai se esquecer
de sua voz marcante, dos gestos secos, dos lábios grossos
e dos olhos brilhantes. É no palco, gritando poesias com
sotaque pernambucano ao som do violão e da percussão
de sua banda, que José Paes de Lira Filho, 28 anos, se transforma
no Lirinha, personagem que induz a platéia a uma comoção
quase frenética. Mesmo quem não gosta do tipo de som
deles – um mix de percussão, violão e poesia
–, se deixa levar pela alquimia que os cinco integrantes do
Cordel, Lirinha à frente, produzem no palco, misturando elementos
teatrais e circenses.
A banda nasceu há
sete anos em Arcoverde, cidade a 260 km de Recife, onde Lirinha
nasceu e se criou. Nos primeiros dois anos de vida, ninguém
deu muita bola para os cinco performáticos rapazes pernambucanos.
Até que em 1999 a trupe explodiu e passou a ser classificada
como “fenômeno” pela mídia nacional. Hoje,
fazem em média 80 shows por ano, quase sempre com casa lotada.
Lançaram dois discos que venderam juntos 70 mil cópias
– número bastante expressivo para uma banda independente.
O terceiro CD, em fase de preparação, sai no início
de 2005.
O sucesso chamou a atenção
da AmBev, que no Carnaval deste ano convidou a banda para estrelar
um comercial da cerveja Brahma ao lado de Daniela Mercury. O Cordel
também foi parar na telona. Primeiro, em Deus é
Brasileiro. Depois, em Lisbela e o Prisioneiro. Ainda
este ano, Lirinha vai aparecer em Árido Movie, do
diretor Lírio Ferreira, ainda sem data de estréia.
Nas próximas páginas você vai descobrir como
esse filho de uma professora da zona rural pernambucana que adorava
declamar poesias consegue se transformar no carismático band
leader que deixa o público com o coração na
mão. »»»» |