| Se todos os males,
Temores e sofrimentos do mundo
Vêm do apego a si mesmo,
Que necessidade tenho de espírito tão
maligno?
Shantieva em trecho do Livro
Tibetano do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche
(Editora Palas Athena, tel.: (11) 3209 6288, R$ 34).
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Cineclube
AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA
Outro dia o tema de abertura da coluna era ídolos e
não-ídolos. Se a pergunta fosse feita hoje,
com certeza incluiria o cineasta Júlio Meden na minha
listinha de queridos. Assisti a dois filmes em que Júlio
assina a direção e o roteiro, infelizmente os
únicos disponíveis nas locadoras do Brasil:
Os Amantes do Círculo Polar (1998) e Lúcia
e o Sexo (2001). Ambos são de uma delicadeza e de uma
perspicácia tão grandes que não pude
evitar ficar completamente apaixonada pelo cara. Histórias
de amor bem contadas, cheias de encontros e desencontros,
nas quais o destino é o dono absoluto da trama. De
encher o coração.

Faça
diferente
A TRISTE SINA DAS “NAMORISTAS” (AS NAMORADAS DOS
SURFISTAS)
Pois é, minha amiga, demorou mas não escapei
da triste sina. Namoro um surfista há cinco anos, mas
fenômenos meteorológicos, uma recém-adquirida
paixão pelo snowboard, algumas contusões e a
desilusão com o litoral norte tinham me poupado desse
terrível mal que acomete muitas de nós. E,
no último feriado, não teve jeito: em uma ilha
sem crowd, com um swell gigante e uma turma de outros aficionados,
me vi abandonada com meu livrinho numa praia sem sombra, sem
gente e com uma ventania incessante. Pior era ficar no carro
no fim de tarde gélido e sem sol esperando o meu Netuno
para voltarmos para casa. Fiquei feliz por ele, que chegava
com uma cara tão extasiada do mar que transformava
minha tromba num biquinho maleável. Mas foi duro. Depois
dessa, escrevi os cinco mandamentos da “namorista”,
a namorada do surfista
Até a namorada do
Kelly Slater deve passar por isso
1. Aprenda a surfar, o único
jeito de não se sentir excluída. Mas
não adianta pedir para ele te ensinar. Namorados
costumam não ter o menor saco para ensinar
suas garotas.
2. Se você não sabe
nadar, não quer estragar o cabelo ou não
tem o menor jeito para a coisa, previna-se: leve mais
de um livro, um guarda-sol (ele vai te azucrinar,
mas faz toda a diferença), muita água
e uma blusa. Boa sorte.
3. Se não for uma praia deserta,
enturme-se. Os meninos costumam ser muito engraçados.
E deve haver outras namoristas no mesmo pedaço
de areia que o seu.
4. Vale a pena aprender os termos
do esporte para não passar por toupeira na
comunidade surf – e para tentar entender um
pouco da emoção da galera.
5. Quando a viagem for mesmo uma
surf trip, sinceramente... vá viajar com as
suas amigas. O reencontro é sempre maravilhoso. |

Armazém
NONNA MIA
Para a minha avó, preparar nhoque era parte de um ritual
que começava pela escolha das batatas. Bem
cedinho, a dona Maria visitava as barracas da feira para escolher
os tubérculos certeiros e, muitas vezes, para nosso
desgosto, o prato tinha de ser adiado por não ser época
da matéria-prima perfeita. Depois tinha a preparação
da massa, o corte dos quadradinhos, o molho... Não
é à toa que esse é meu prato preferido.
A Nonna se foi e por muito tempo fiquei órfã
de meu nhoquinho... até encontrar o Buttina e o Mar
Massas. O primeiro, em São Paulo, além do nhoque
sensacional, tem uma boa carta de vinhos, sorvete de jabuticabas
do jardim e desenhos do Niemeyer (ele também é
fã de nhoque!!) rabiscados na parede. O segundo, em
Floripa, tem uma vista maravilhosa para a lagoa – além
das fantásticas bolinhas de batatas que desmancham
na boca.
Vá lá:
Buttina: R. João
Moura, 976, São Paulo, tel.: (11) 3083 5991. Mar
Massas: R.Laurindo Januário da Silveira, 3.843,
Florianópolis, tel.: (48) 232 6109.

Achado
JÓIA RARA
Morador de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, Moacir
Soares de Faria seria mais uma daquelas pessoas anônimas,
rústicas e maltratadas pela pobreza e descaso tradicionais
dos confins do país, não fosse um detalhe: seu
dom de desenhar. Criador de imagens coloridas e impactantes
tiradas de seu rico inconsciente (Moacir tem deficiência
auditiva e foi tratado como louco pela comunidade desde criança),
aos poucos suas peças estão sendo reconhecidas
como verdadeiras obras de arte popular brasileira. Eu tenho
dois desenhos dele no meu apê. Se você não
pretende ir até Goiás, a galeria Brasiliana
tem alguns trabalhos dele em São Paulo.
Vá lá:
A Galeria Brasiliana
fica na rua Arthur de Azevedo, 520, São Paulo,
tel.: (11) 3086 4273. Mais informações sobre
a arte de Moacir no www.altiplano.com.br/Moacir.html.
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