Lorena
Jéssica
Dani
Juliana
   
Ligia
Editora convidada online
 
 
 
 
DeSilva fala de COISAS BOAS DA VIDA
 

Se todos os males,
Temores e sofrimentos do mundo
Vêm do apego a si mesmo,
Que necessidade tenho de espírito tão maligno?


Shantieva em trecho do Livro Tibetano do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche
(Editora Palas Athena, tel.: (11) 3209 6288, R$ 34).


Cineclube


AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA

Outro dia o tema de abertura da coluna era ídolos e não-ídolos. Se a pergunta fosse feita hoje, com certeza incluiria o cineasta Júlio Meden na minha listinha de queridos.
Assisti a dois filmes em que Júlio assina a direção e o roteiro, infelizmente os únicos disponíveis nas locadoras do Brasil: Os Amantes do Círculo Polar (1998) e Lúcia e o Sexo (2001). Ambos são de uma delicadeza e de uma perspicácia tão grandes que não pude evitar ficar completamente apaixonada pelo cara. Histórias de amor bem contadas, cheias de encontros e desencontros, nas quais o destino é o dono absoluto da trama. De encher o coração.



Faça diferente


A TRISTE SINA DAS “NAMORISTAS” (AS NAMORADAS DOS SURFISTAS)

Pois é, minha amiga, demorou mas não escapei da triste sina. Namoro um surfista há cinco anos, mas fenômenos meteorológicos, uma recém-adquirida paixão pelo snowboard, algumas contusões e a desilusão com o litoral norte tinham me poupado desse terrível mal que acomete muitas de nós.
E, no último feriado, não teve jeito: em uma ilha sem crowd, com um swell gigante e uma turma de outros aficionados, me vi abandonada com meu livrinho numa praia sem sombra, sem gente e com uma ventania incessante. Pior era ficar no carro no fim de tarde gélido e sem sol esperando o meu Netuno para voltarmos para casa. Fiquei feliz por ele, que chegava com uma cara tão extasiada do mar que transformava minha tromba num biquinho maleável. Mas foi duro. Depois dessa, escrevi os cinco mandamentos da “namorista”, a namorada do surfista

Até a namorada do Kelly Slater deve passar por isso

1. Aprenda a surfar, o único jeito de não se sentir excluída. Mas não adianta pedir para ele te ensinar. Namorados costumam não ter o menor saco para ensinar suas garotas.
2. Se você não sabe nadar, não quer estragar o cabelo ou não tem o menor jeito para a coisa, previna-se: leve mais de um livro, um guarda-sol (ele vai te azucrinar, mas faz toda a diferença), muita água e uma blusa. Boa sorte.
3. Se não for uma praia deserta, enturme-se. Os meninos costumam ser muito engraçados. E deve haver outras namoristas no mesmo pedaço de areia que o seu.
4. Vale a pena aprender os termos do esporte para não passar por toupeira na comunidade surf – e para tentar entender um pouco da emoção da galera.
5. Quando a viagem for mesmo uma surf trip, sinceramente... vá viajar com as suas amigas. O reencontro é sempre maravilhoso.



Armazém

NONNA MIA

Para a minha avó, preparar nhoque era parte de um ritual que começava pela escolha das batatas.
Bem cedinho, a dona Maria visitava as barracas da feira para escolher os tubérculos certeiros e, muitas vezes, para nosso desgosto, o prato tinha de ser adiado por não ser época da matéria-prima perfeita. Depois tinha a preparação da massa, o corte dos quadradinhos, o molho... Não é à toa que esse é meu prato preferido. A Nonna se foi e por muito tempo fiquei órfã de meu nhoquinho... até encontrar o Buttina e o Mar Massas. O primeiro, em São Paulo, além do nhoque sensacional, tem uma boa carta de vinhos, sorvete de jabuticabas do jardim e desenhos do Niemeyer (ele também é fã de nhoque!!) rabiscados na parede. O segundo, em Floripa, tem uma vista maravilhosa para a lagoa – além das fantásticas bolinhas de batatas que desmancham na boca.

Vá lá:
Buttina: R. João Moura, 976, São Paulo, tel.: (11) 3083 5991. Mar Massas: R.Laurindo Januário da Silveira, 3.843, Florianópolis, tel.: (48) 232 6109.





Achado


JÓIA RARA

Morador de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, Moacir Soares de Faria seria mais uma daquelas pessoas anônimas, rústicas e maltratadas pela pobreza e descaso tradicionais dos confins do país, não fosse um detalhe: seu dom de desenhar.
Criador de imagens coloridas e impactantes tiradas de seu rico inconsciente (Moacir tem deficiência auditiva e foi tratado como louco pela comunidade desde criança), aos poucos suas peças estão sendo reconhecidas como verdadeiras obras de arte popular brasileira. Eu tenho dois desenhos dele no meu apê. Se você não pretende ir até Goiás, a galeria Brasiliana tem alguns trabalhos dele em São Paulo.

Vá lá:
A Galeria Brasiliana fica na rua Arthur de Azevedo, 520, São Paulo, tel.: (11) 3086 4273. Mais informações sobre a arte de Moacir no www.altiplano.com.br/Moacir.html.

 
Cena do filme Os Amantes do Círculo Polar, história de amor das boas
 
No Buttina, além do nhoque, não perca a chance de almoçar no jardim
 
O colorido hipnotizante do trabalho de Moacir