Lorena
Jéssica
Dani
Juliana
 
 
 
 
fala de CULTURA, GASTRONOMIA e outras coisas boas da vida
 

Lorena
Nunca tive um ídolo máximo, aquela figura adorada e imaculada que nada nem ninguém pode afetar. Nem na adolescência, quando normalmente somos afetados por esse tipo de devoção. A idolatria, pra mim, tem um outro significado: o de admiração profunda por coisas e pessoas que, por motivos diversos, deixam a minha vida mais rica. Nesse sentido, os idolozinhos são tantos que nem caberiam aqui. Mas vou entrar na brincadeira e deixar valer os nomes que primeiro vierem à mente.

5 pessoas que admiro

1. Drauzio Varela
2. Pedro Almodóvar
3. Elza Soares
4. Jean Cocteau (poeta e cineasta francês)
5. Tom Zé

5 pessoas que definitivamente não admiro

1. Jader Barbalho
2. George W. Bush
3. Osama Bin Laden
4. Fernandinho Beira-mar
5. Britney Spears



Armazém


BRINDE COM BELLINI

Dezembro é o mês dos brindes, das comemorações, das festinhas de fim de ano. E dá-lhe champanhe espocando aqui e acolá. Sedutor, ele vem borbulhante, fazendo cócegas no céu da boca. Até a taça em que é servido é especial, esguia, lânguida, obrigando todo mundo a fazer biquinho. Sem querer acabar com a supremacia do champanhe, sugiro uma opção tão deliciosa quanto – e bem mais em conta se você estiver a fim de levar uma bebida de qualidade para casa. Vá de Prosecco, vinho espumante italiano, divino puro ou em um Bellini. O drinque, criado no Harry´s bar em Veneza no fim dos anos 40, tem sabor delicado. O perfume de pêssego é realçado pelo Prosecco e a combinação é simplesmente irresistível.

Para fazer um bom Bellini segundo Nei, o barmen do restaurante Gero
1 dose de polpa de pêssego (já descongelada) ou suco concentrado
4 doses de Prosecco gelado

Misturar no copo mix (aquele usado para preparar Dry Martini) e servir em taça de champanhe.

Vá lá:
Gero: Rua Haddock Lobo, 1 629, São Paulo. De segunda a sexta (12 h às 15 h e 19 h à 1 h), sábado (12 h às 16h30 e 19 h à 1h30) e domingo (12 h às 16h30 e 19 h às 24 h).




Livro


A HISTÓRIA DE UM AMOR DILACERANTE

“Quem quer morrer de amor, se engana.” Esse é um verso de “Presente Cotidiano”, de Luiz Melodia. Foi assim que me lembrei de Os Sofrimentos do Jovem Werther
, do alemão Johann Wolfgang von Goethe, um dos livros mais tristes e mais emocionantes que já li. Werther é um jovem que conhece o amor na figura de Carlota, um amor platônico que o levará à desgraça. “O que significa ser a festa de alguém?” A pergunta funciona como uma chave para entender o sentimento do rapaz. Uma história de amor dilacerante, para deixar qualquer um que se diz perdidamente apaixonado com sentimento de inferioridade. Para mergulhar mais fundo, procure Werther no livro Fragmentos de um Discurso Amoroso, onde é citado e analisado pelo pensador francês Roland Barthes.

Vá lá:
Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe. R$ 17, Editora Estação Liberdade. Tel.: (11) 3661 2881.
Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes. R$ 20,20. Livraria Francisco Alves Editora. Tel.: (21) 3852 8213.



Cineclube


PARA VER SEMPRE

Um filme encantador, charmoso, com uma dose exata de romantismo. Assim é Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards, uma adaptação do romance de Truman Capote, Breakfast at Tiffany´s. Ninguém melhor que Audrey Hepburn para encarnar uma jovem do interior que vai a Nova York em busca de uma vida glamourosa – e que acaba se sustentando como garota de programa de luxo, adora dar festas de arromba e paquerar a vitrine da joalheria Tiffany. A atriz empresta sofisticação e sensibilidade ao papel, para o qual Marylin Monroe havia sido cogitada. De pijama e máscara de dormir ou nos modelos Givenchy, Audrey desfila pela tela sua elegância natural. E pensar que ela começou a filmar três meses depois do nascimento do seu primeiro filho e ainda interpreta a canção têma, “Moon River” (de Henri Mancini), numa das seqüências antológicas do filme. Bonequinha é uma jóia que o tempo só fez valorizar.

Viagem

NÃO VIAJAR PODE SER DIVERTIDO

Você não vai viajar neste fim de ano. Falta grana ou vai ficar presa na sua cidade por algum motivo alheio a sua vontade. O que fazer? Desanimar, jamais. Encare tudo com bom humor e encontre um jeito de se divertir. Afinal, não viajar tem suas vantagens:

1. Você não vai se estressar pegando filas no aeroporto, engarrafamentos na estrada nem vai ver a turistada invadindo o seu lugar preferido;
2. Tudo vira pacote turístico e os preços sobem mais que fogos de artifício. Pense na grana que você vai economizar para viajar em um momento menos caótico;
3. Você não é a única no mundo que não viajou. Sempre tem alguém que também ficou. E que conhece outro alguém que também ficou... Forme uma turma diferente para sair ou fazer uma festinha;
4
. O dinheiro que você NÃO gastou na viagem, pode ser revertido em massagens, banhos de ofurô, manicure, enfim, tudo que você poderia estar usufruindo num resort;
5. Você pode dar uma geral no seu guarda-roupa. Separe tudo o que não usou sequer uma vez neste ano e doe;
6. Experimente uma receita, leia um livro, alugue aquele filme que você perdeu no cinema. Faça tudo que nunca dá tempo de fazer na rotina diária;
7. Ligue para gente querida que você não tem contato há um tempo e bote o papo em dia.

Armazém

A NOSSA FRENCH TOAST

O nome é horroroso: ra-ba-na-da. Foi difícil, quando criança, quebrar minha resistência diante de tal palavrão.
Mas, afinal, chuchu é um nome bonitinho e não tem graça nenhuma. Então fui provar a rabanada que minha mãe preparava com tanto esmero. Quentinha, exalando canela e se desmanchando carinhosamente na boca. Até hoje minha memória gustativa vive o dilema: a rabanada é mais gostosa na hora em que é feita ou no dia seguinte, quando o sabor fica mais acentuado e uma ligeira calda vai se insinuando? Nunca me conformei com o fato de ela freqüentar as mesas natalinas e ser praticamente ignorada durante todo o ano. Merecia um destino mais nobre, como o da sua prima rica, a french toast – nada mais que a nossa rabanada com sotaque francês.

A receita da rabanada da minha mãe, Wilma Cardoso
1 baguete ou 3 pães franceses amanhecidos; 1/2 litro de leite; 2 ovos batidos; açúcar e canela a gosto; óleo para fritar

Corte o pão em fatias de 2 cm, enviesadas. Amorne o leite, coloque em um prato fundo e adoce. Mergulhe uma fatia de pão no leite, esprema o excesso, passe nos ovos e frite dos dois lados até dourar. Retire e coloque sobre papel absorvente. Quando secar, polvilhe com uma mistura de açúcar e canela.

 
 
Lorena e o Bellini no bar do Gero, onde costumavam se encontrar
 
Reprodução
 
Ilustração Carlos Issa