Nascida no Chile, Sylvia Monica Allende Serra,
58 anos, mora no Brasil desde que se casou com José
Serra (PSDB-PMDB), 62, há 36 anos. Ela se
naturalizou brasileira há seis meses, tocada pela gravidez
da filha Verônica, de 32 anos. Monica também
é mãe de Luciano, de 29. Foi bailarina
nos anos 60, psicoterapeuta nos 80 e, desde 1996, está
à frente da ONG Arte sem Fronteira, que leva a arte
brasileira às escolas públicas por meio de reproduções
de obras clássicas. É professora licenciada
da Universidade de São Paulo, onde desenvolve um projeto
para um novo mestrado na Escola de Comunicações
e Artes. Monica recebeu a reportagem da Tpm no
escritório da ONG, uma sala mínima, abarrotada
de livros de arte e de fotos da família, no bairro
paulistano da Vila Madalena. Ao contrário da fama do
marido, ela é extremamente simpática.
Baixinha, ativa, falante, ri com facilidade e, mesmo nos momentos
mais tensos da entrevista, conservou o sorriso. Sem pressa,
café com um pouco de leite nas mãos, falou durante
quase duas horas, ainda com sotaque carregado.
Tpm. Está em extinção
o modelo de primeira-dama que passa a tarde em eventos beneficentes,
fazendo social?
Monica Serra. Não vejo assim. Acho que há
dois sentidos para o social: um é o mais frívolo,
festivo, e outro se refere ao que pode ser feito pela sociedade.
Eles se completam. Pensando na parte prática desse
papel, vejo que há duplicação de tarefas
em muitas ONGs. Uma coordenação de objetivos
e necessidades básicas seria superimportante. É
preciso estimular parcerias, facilitar a comunicação
entre as ONGs e acho que o governo poderia ter uma ação
direta aí.
Tpm. O que você conversa com seus
filhos sobre sexo, drogas e cidadania?
Monica. Meus filhos já são
adultos, cada um é responsável por si e eu confio
que demos uma excelente educação, temos uma
família bem constituída, um pai presente, uma
mãe presente. Quando eles eram adolescentes, comprava
camisinhas como comprava xampu, sabonetes, e deixava tudo
junto no banheiro. Com relação às drogas,
acho que se encontrasse algo nas coisas dos meus filhos, daria
suporte, amor. Ninguém segue por esse caminho quando
está feliz.
Tpm. Seu marido pede sua opinião
antes de tomar alguma decisão importante?
Monica. Não, ele recorre aos assessores, não
a mim. Quando está muito envolvido com um assunto e
vem para casa depois de mil reuniões, o que ele quer
é descansar. Da guerra com os laboratórios [para
a fabricação de medicamentos genéricos],
fiquei sabendo pelos jornais. Eu recebo o nervosismo que ele
está passando naquele momento, entendo essa parte mais
humana, não o lado técnico de questões
como a quebra das patentes.
“Temos os mesmos ideais”
Tpm. O que mais te fascina no seu marido?
Monica. Ele é carinhoso. Nem precisa me perguntar
se eu estou bem ou não. Se ele percebe que eu estou
mal, já vai direto perguntando o porquê. E ele
é muito preocupado com a família, pergunta sempre
no telefone se eu falei com a Veru [Verônica, a
filha mais velha], me pergunta se o Lu [Luciano,
o mais novo] vai viajar.
Tpm. O que mais te irrita nele?
Monica. Olha, o que me irritava mesmo era quando
os nossos filhos eram mais novos, porque ele dizia que eu
devia pôr mais limites. Acho que ele também se
irritava porque eu bancava a boazinha. Hoje vejo que ele tinha
razão.
Tpm. Alguma vez você quis que ele
não fosse político?
Monica. Essa é uma decisão dele, não
é uma decisão minha. Em alguns momentos eu até
poderia pensar isso, mas não dá. Como é
que eu posso pensar isso sobre uma pessoa que dedica a vida
a uma coisa grande e generosa como é a vida pública?
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