Marisa Letícia, 52
anos, e Lula (PT-PL), 57, estão casados
há 28 anos. Começaram a namorar por insistência
dele, na época em que os dois eram jovens viúvos.
A primeira esposa de Lula, uma operária de tecelagem,
faleceu grávida, e o filho também morreu. O
primeiro marido de Marisa, motorista de caminhão, foi
assassinado quando ela estava grávida. Os dois se casaram
um ano antes de ele ser eleito presidente do sindicato dos
metalúrgicos e cinco antes da fundação
do PT. Foi ela quem bordou a estrela branca num tecido vermelho,
primeira bandeira do partido. Na atual campanha, a
dona-de-casa participa indo a comícios e aparecendo
no programa de TV. Por causa da suada agenda, Marisa desmarcou
a entrevista com a Tpm na véspera
da data marcada, dois dias antes do fechamento da edição.
Ela e o candidato do PT partiriam na manhã seguinte
para uma caravana pelo norte do país. Seu filho Luis
Cláudio, 17 anos [além dele, tem mais três
filhos adultos], estava doente em casa, em São
Bernardo (SP), e ela aproveitou o tempo com ele para enviar
por e-mail as respostas a seguir.
Tpm. Está em extinção
o modelo de primeira-dama que passa a tarde em eventos beneficentes,
fazendo social?
Marisa Letícia Lula da Silva. Acho que isso
depende do perfil da pessoa. Não é o meu caso.
Gosto de saber o que está acontecendo e participar.
Existem muitas coisas a serem feitas ou melhoradas. Tenho
uma grande preocupação com a juventude: não
dá mais para admitir tantos jovens morrendo e matando.
É horrível imaginar que os perdemos.
Tpm. A proximidade com o poder despertou
em você alguma aspiração política?
Marisa. Nenhuma. Esse não é
o meu perfil. Apóio e quero que o número de
mulheres em cargos políticos cresça cada vez
mais. Isso é muito importante. Mas também acredito
na força dos movimentos sociais. Muitas mulheres contribuíram
participando dessa forma.
Tpm. O que você conversa com seus filhos sobre
sexo, drogas e cidadania?
Marisa. Sempre conversamos muito. Todos eles
são homens e nunca tive problemas do tipo: “Mãe,
com você eu não converso”. Conversamos
sobre tudo abertamente. Falamos sobre prevenção,
sexualidade, respeito. Sobre drogas deixo clara a minha posição:
sou contra. É um caminho que pode não ter volta.
Vejo as drogas como um dos grandes problemas da atualidade.
E eles também. Quanto à cidadania, eles sabem
o que é isso e sabem o significado para quem não
tem. A luta e a postura do pai são aulas práticas
que recebem diariamente.
Tpm. Seu marido pede sua opinião
antes de tomar alguma decisão importante?
Marisa. Ele considera a minha opinião
importante. Mas é claro que nem tudo pode ser discutido
comigo.
“Ele considera a minha opinião importante”
Tpm. O que mais te fascina no seu marido?
Marisa. O Lula, quando acredita em alguma coisa,
vai até o fim. Essa perseverança dele é
aplicada em tudo que é importante. Isso eu admiro muito.
Mas o que eu gosto mesmo é a maneira como ele se relaciona
com a família: comigo e com os filhos. É amigo,
brincalhão, sensível, conversador e duro quando
tem que ser. Sem nenhuma dificuldade ele sabe demonstrar o
seu amor. Além disso, é um ótimo cozinheiro.
Tpm. O que mais te irrita nele?
Marisa. Como eu disse o Lula é um ótimo
cozinheiro. Eu adoro a comida dele. O que eu não gosto
é da bagunça que fica na cozinha. São
panelas, pratos, travessas, talheres espalhados por toda a
pia e balcão. Já expliquei que ele pode cozinhar
e arrumar a louça ao mesmo tempo. Mas não adianta,
ele não faz.
Tpm. Alguma vez você quis que ele
não fosse político?
Marisa. Olha, a política entrou tão
naturalmente na nossa vida que isso não passou pela
minha cabeça. Teve uma única vez que eu disse
que seria difícil chegar ao poder porque os que estavam
lá não iriam querer largá-lo. Mas foi
algo de momento. O Lula se preparou para ser um político
e eu respeito isso e contribuo.
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